Igreja Adventista do Sétimo Dia - Vila Santa Maria

Tende em Vós o Mesmo Sentimento que Houve em Cristo Jesus

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Neste sábado tivemos um momento muito especial na igreja: a Santa Ceia. E antes de participarmos dos emblemas, o pastor trouxe uma mensagem a partir de Filipenses 2 que mexeu com a gente de um jeito bem direto. Não foi uma pregação longa e rebuscada, foi uma conversa sincera sobre o que realmente significa viver como cristão de verdade.

O pastor começou lembrando que a vida espiritual funciona de um jeito bem simples: ou nós temos comunhão com Deus através da Bíblia, da lição da Escola Sabatina, da oração e do testemunho, ou a parte carnal se fortalece e a parte espiritual se enfraquece. Não tem mágica, não tem algo extraordinário. Se a internet, a TV e os programas do mundo estão levando as pessoas numa direção contrária, Deus precisa ter os seus comunicadores, homens, mulheres, jovens, meninos e meninas que apresentem uma mensagem que realmente pode salvar.

O texto base foi Filipenses 2:5, "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus." E a partir do versículo 6, o pastor foi desdobrando o que Paulo quis dizer com isso.

Ele destacou que Jesus, subsistindo em forma de Deus, não considerou usurpação ser igual a Deus. Antes, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens. O pastor fez questão de frisar esse ponto: Jesus não era homem, ele era Deus. Mas ele veio a esta terra e se tornou em semelhança de homens, foi reconhecido em figura humana. O pastor disse que talvez, se Jesus tivesse feito toda a manifestação de um Deus de forma extraordinária, a gente acharia que seria algo mais aceito, porque o ser humano gosta de coisas além do comum. Mas Jesus veio para mostrar que a realidade humana é uma bênção. Ele se colocou como ser humano, mesmo não sendo um de nós.

Esse ponto gerou uma reflexão importante. O pastor mencionou que há pessoas, inclusive dentro da própria igreja, que estão seguindo certos movimentos e dizendo coisas como: "se você comer uma alimentação saudável, você se torna como Jesus." Ele reagiu com firmeza: "Que absurdo é esse? Eu como um prato de comida e isso me transforma a ser semelhante a Jesus?" Ele explicou que isso acontece quando as pessoas não estudam a Bíblia e acabam seguindo líderes equivocados. O texto é claro: Jesus se tornou em semelhança de homens, mas ele não era homem. Nós somos humanos, feitos à imagem e semelhança de Deus, mas imagem e semelhança não é igual. Nunca seremos como Deus, nem mesmo quando formos transformados na volta de Cristo. Seremos transformados, teremos um corpo espiritual, mas jamais seremos Deus.

E ele trouxe a prova: se Jesus fosse apenas homem, como teria morrido e ressuscitado por conta própria? Como teria ressuscitado outras pessoas? Jesus estava em figura humana, mas era Deus em essência.

Depois, o pastor passou para o versículo 8, Jesus se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. A pior morte que existia, reservada para ladrões e assassinos. E ele morreu assim para mostrar que não existe ninguém que não possa ser salvo. Pode ser assassino, pode ser ladrão, pode ser o que for, se aceitar a Jesus Cristo, vai ter mudança de vida.

Para ilustrar o que é ter o sentimento de Cristo, o pastor contou duas histórias que ficaram marcadas.

A primeira foi de um pastor que, durante uma série de conferências evangelísticas, fez um apelo para as pessoas deixarem de fumar. Quem quis se entregar a Deus entregou os maços de cigarro, e o pastor colocou tudo dentro do carro. No dia seguinte, de manhã, ele deu uma carona para um irmão da igreja. O irmão viu as carteiras de cigarro no carro e pronto, já julgou o pastor. Não perguntou nada, não quis saber o contexto. O pastor contou isso para nos lembrar de Tiago 4:11-12: "Só há um legislador e juiz, que é Deus. Quem és tu que julgas o teu irmão?" O irmão se colocou como legislador e juiz sem saber de nada.

A segunda foi a história da mulher apanhada em adultério, de João 8. O pastor perguntou: qual teria sido a reação daquele irmão julgador se ele estivesse ali? Provavelmente ia querer saber onde estava o homem, ia querer julgar todo mundo. Mas Jesus não fez assim. Jesus foi mostrando, ponto por ponto, que todos ali eram pecadores. Saíram todos, ficou só a mulher. E Jesus, que era o único que teria o direito de condená-la, porque era Deus, disse: "Nem eu te condeno. Vai e não peques mais." Ele não aprovou o pecado, mas ele veio para buscar e salvar o perdido. Esse é o sentimento de Cristo.

O pastor fez uma provocação que eu achei muito boa: "Nós precisamos melhorar não na aparência de ser cristão. Nós temos que melhorar na realidade de sermos cristãos." Ele disse que sem esse sentimento de Cristo, a gente vai ficar só marcando o passo, um culto no sábado, um culto na quarta, outro na quarta... e parado. Deus não quer isso. Deus quer que a gente esteja verdadeiramente envolvido, com a vida nas mãos dele.

Ele lembrou de Paulo: "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." E disse que isso acontece com o tempo, a gente para de querer conduzir as coisas do nosso jeito e começa a ver o mundo com os olhos de Deus. A coisa mais maravilhosa na vida cristã, segundo o pastor, é a gente começar a ver as coisas com a maneira que Deus vê.

Outro ponto que me marcou foi quando ele falou de Jesus no Getsêmani: "Se possível, passa de mim este cálice." O pastor explicou que Jesus não estava reclamando, ele estava dizendo que o pecado da humanidade era tão pesado que, se houvesse outra maneira, ele preferiria. Mas não havia. Era um acordo celestial, assinado com a mente: esse é o único meio de salvação para o ser humano.

No verso 9, Paulo mostra a consequência: Deus exaltou Jesus sobremaneira, deu-lhe o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai. O pastor explicou que toda língua vai confessar, alguns com alegria, porque aceitaram; outros com tristeza, porque recusaram. Mas todos, sem exceção, vão se curvar diante da grandeza de Cristo.

Antes de encerrar, o pastor compartilhou algo que achei muito bonito. Ele contou que a igreja do Bom Pastor, uma congregação do distrito, não fazia culto nas quartas-feiras. Eles reabriram, e na primeira quarta vieram 16 pessoas. Ele perguntou: "Como é que nós vamos fechar uma igreja para 16 pessoas?" Se a Bíblia diz que onde dois ou três estiverem reunidos, Cristo está ali, por que fechar?

Também falou do trabalho missionário. Mencionou que uma pessoa da Associação Sul do Rio Grande do Sul viria para mostrar na prática como levar pessoas à decisão. Contou o caso de alguém que, na primeira entrevista para estudo bíblico, já pediu para apressar os estudos porque queria se batizar. A pessoa tomou a decisão antes mesmo de começar. E o pastor disse com convicção: o único meio de a igreja crescer de verdade é através de estudos bíblicos e batismos. Transferências de membros não fortalecem, o que fortalece é gente nova conhecendo Jesus.

Ele elogiou a igreja pelo trabalho comunitário feito durante um período de emergência: o próprio posto de saúde reconheceu o que a igreja fez pelo bairro. E disse que a comunidade respeita a Igreja Adventista, nas calamidades, sabe que a igreja faz a diferença. Mas há uma calamidade espiritual acontecendo agora, e as pessoas ao redor precisam de nós.

O apelo final foi simples e direto. O pastor olhou para a igreja e perguntou: "Você tem desejo de que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus? Para que você viva de verdade e, sendo usado nas mãos de Deus, possa levar vida para as pessoas ao redor?" E pediu para quem tivesse esse desejo levantasse a mão. A igreja levantou.

Na oração final, ele pediu a Deus: "Ensina-nos a fazer as coisas do teu jeito, do jeito que atrai as pessoas, que mexe com o coração das pessoas, que fortaleça a nossa fé. Não nos desampares, não nos deixes sozinhos jamais."

Saí da igreja pensando nisso: não basta parecer cristão. A questão é ter dentro de mim o mesmo sentimento que Cristo teve, de se humilhar, de não julgar, de buscar e salvar o perdido, de amar as pessoas de verdade. É isso que transforma. É isso que a Santa Ceia nos lembra.

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