Igreja Adventista do Sétimo Dia - Vila Santa Maria

Sodoma e a Escolha que nos Define - Pr. João Antonio

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Neste sábado tivemos a visita de um pastor que já havia estado antes na nossa igreja em Santa Maria. Ele abriu a mensagem dizendo que não importa a quantidade de pessoas presentes, o que importa é o espírito com que nos reunimos para adorar a Deus e oferecer a Ele o nosso coração.

O tema do sermão girou em torno de Gênesis 13 e 19, e a história que ele trouxe, como ele mesmo disse, "não é muito bonita". É a história de Ló, o sobrinho de Abraão que fez escolhas baseadas naquilo que os olhos viam, e acabou pagando um preço altíssimo por isso.

Abraão: o homem que ordenava a casa

O pastor começou mostrando que Abraão era muito rico, gado, prata e ouro. Alguns estudiosos dizem que ele era como um sheik do deserto, com uma extensa casa, servos e família. Mas o detalhe importante é que Abraão, onde quer que chegasse, invocava o nome do Senhor. Ele liderava o culto a Deus para toda a sua casa, incluindo os seus servos. Como o Pastor Vilmar havia frisado na lição da Escola Sabatina naquele mesmo dia: ordenar a casa tem tudo a ver com adoração ao Senhor.

Ló: rico de carona

Ló também tinha rebanhos, gado e tendas. Mas de onde veio essa riqueza? O pastor fez questão de lembrar: quando Deus chamou Abraão para sair da sua terra e ir para uma terra que Ele mostraria, o chamado foi para Abraão, não para Ló. Ló foi de carona. E pelo fato de estar junto com o tio, foi abençoado.

Isso nos leva a uma reflexão: precisamos escolher bem as nossas companhias, porque podemos ser abençoados por estarmos junto com elas, ou colher maus resultados.

A riqueza que gera contenda

Com tanta riqueza acumulada, a terra já não podia sustentá-los juntos. Surgiu contenda entre os pastores de gado de Abraão e os de Ló. O pastor comentou algo que me marcou: muitas vezes, antes de ter dinheiro, a pessoa diz "eu queria ter dinheiro para ajudar". Depois que tem, quer dinheiro para gastar, um cruzeiro pelas ilhas gregas, uma viagem para Paris, para Nova York. E o dinheiro, que deveria ser bênção, vira problema. A Bíblia diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, não o dinheiro em si, mas o apego àquilo que não deveria ter prioridade.

Ele ainda fez uma comparação com heranças familiares: quando morrem os pais e há bens, vira confusão. Às vezes a pessoa não fez nada para construir aquele patrimônio, mas quer brigar pela parte que lhe corresponde. No final, sai com os bolsos cheios e a família toda desestruturada, dividida, com inimizades entre irmãos por causa de dinheiro.

A escolha sensorial de Ló

Abraão, querendo evitar desavença, deu a Ló o direito de escolher primeiro. Em vez de devolver a deferência ao tio mais velho, que, afinal, era o verdadeiro chamado de Deus, Ló "levantou os olhos e viu". Viu a campina do Jordão, toda bem regada, verdinha, perfeita para o gado. E gostou.

O pastor fez uma conexão poderosa com Gênesis 3: quem mais olhou, viu e gostou no livro de Gênesis? Eva. Ela viu a fruta, era agradável aos olhos. E com base nos sentidos, tomou a decisão de fazer aquilo que Deus disse para não fazer. O pastor até contou que outro dia comprou uma manga palmer e deixou em cima da mesa, no outro dia a cozinha inteira estava com aquele cheiro irresistível. A tentação sensorial é real.

A conclusão dele foi direta: tomar decisão baseado nos sentidos não produz bons resultados.

Armando tendas até Sodoma

Ló escolheu a campina do Jordão e partiu. Mas o texto diz algo muito revelador: Ló "ia armando as suas tendas até Sodoma". Ele não saiu correndo direto para lá. Foi um movimento gradual, paulatino, mas constante. Foi chegando devagarzinho.

E aqui o pastor trouxe um conceito da psicologia que deu o tom de toda a mensagem: a dessensibilização. Na psicologia, ela pode ser usada positivamente, por exemplo, quando alguém tem fobia de cobra, é exposto de forma controlada ao animal: primeiro vê na tela, depois num recipiente de vidro, vai chegando mais perto, até que passa a lidar com aquilo naturalmente.

Mas existe também a dessensibilização para aquilo que é mal. É exatamente o que aconteceu com Eva diante da serpente, e com Ló se aproximando de Sodoma. Ló foi ouvindo de longe a música, a alegria, pensando "esse pessoal não é tão ruim, é gente boa, trabalhadora". Foi se acostumando. E quando percebeu, já estava dentro da cidade.

O pastor mencionou uma descoberta arqueológica do final da década de 1990 na região de Sodoma, liderada por um pesquisador que encontrou vasilhames ricamente adornados com representações de posições sexuais tão extremas que, mesmo hoje, os arqueólogos consideraram impróprio exibi-los publicamente. Tamanha era a perversidade daquele lugar.

Sentado à porta da cidade

Em Gênesis 19, quando os anjos chegam a Sodoma, onde encontram Ló? Sentado à porta da cidade. No antigo Oriente, a porta era o lugar onde se realizavam negócios, transações e julgamentos. Ló estava totalmente incorporado à vida daquela sociedade. Alguns estudiosos sugerem que ele poderia até ser o prefeito da cidade. Sua mulher possivelmente era de Sodoma. Suas filhas nasceram lá. Ló era, entre aspas, um sodomita, mas achava que pertencia a uma linhagem diferente, superior.

O pastor fez um contraste marcante: quando Abraão quis uma esposa para Isaque, mandou buscar onde? Na família, não em Sodoma. Porque a família espiritual é onde devemos buscar. Ló não se preocupou com isso.

Sem moral nenhuma

Quando Deus decidiu julgar Sodoma, mandou anjos que foram recebidos por Ló. Depois que os anjos falaram para Ló avisar seus parentes, ele foi falar com os genros. E o que disseram? Riram na cara dele. Acharam que era piada.

O pastor foi enfático: Ló não tinha moral nenhuma. Achava que era respeitado, mas nem os genros o levavam a sério. E contou uma história real: um sobrinho dele, cristão firme, trabalhava numa grande empresa na Bahia. O pessoal o chamava de "pastor" e ele dava estudos bíblicos no intervalo do almoço. Um dia, outro funcionário de outra denominação quis se passar por crente, e alguém o cortou: "crente mesmo é o pastor, porque o pastor não vai nesses lugares. Agora você, eu já te encontrei onde não devia. Cala sua boca." A lição é clara: a vida fala mais alto que as palavras.

O preço de Sodoma

O pastor fez uma série de perguntas que ecoaram na igreja: Ló se separou de Abraão por causa de dinheiro. E quando saiu de Sodoma, levou o quê? Nada. Onde estão os pastores de Ló? Os rebanhos? A prata? O ouro? Perdeu tudo. Perdeu a mulher. Ficou só com as duas filhas.

Mesmo assim, não queria sair. Os anjos tiveram que agarrá-lo pela mão. "Vambora, Ló! Salva a tua vida!" E ainda na hora da fuga, quando os anjos disseram para ir para as montanhas, Ló pediu para ir para Zoar, uma cidadezinha ali perto, uma das cinco cidades da planície. Das cinco, quatro foram destruídas. Zoar foi poupada só por causa de Ló. Mas depois ele teve medo do povo de lá e acabou numa caverna no monte, onde suas filhas, criadas em Sodoma, o embriagaram e abusaram dele. Dali surgiram dois povos que se tornaram vizinhos e inimigos do povo de Deus.

O pastor disse com toda a firmeza: pensa que o diabo dá as coisas para você desfrutar para sempre? A natureza dele é ver o seu sofrimento. Em algum momento, ele vai cobrar.

Invista em Canaã, não em Sodoma

No encerramento, o pastor trouxe a mensagem para o nosso dia a dia. Falou sobre educação adventista, sim, é cara, sempre foi. Mas a pergunta que ele fez é poderosa: você quer seu filho apenas médico, ou quer seu filho médico também no céu? Ele contou que um conhecido fez medicina numa escola particular e relatou sobre um "encontro" de estudantes que não tinha nada de acadêmico, era para praticar aquilo que não se deve. É o tipo de ambiente que Sodoma representa hoje.

Ele não disse que quem estuda fora vai apostatar. Mas o apelo foi claro: invista em Canaã, não em Sodoma.

A conclusão foi uma exortação direta, baseada na lição de Ló:

Seja como Abraão. Permaneça em Canaã. Porque o propósito de Deus, o Seu desejo em Cristo, é levar você para a Canaã Celestial.

E eu quero ir para lá.

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