Igreja Adventista do Sétimo Dia - Vila Santa Maria

O chamado para um reavivamento e uma reforma

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Foi uma manhã fria, mas saí daquele culto aquecido. Quem pregou foi a irmã Vanice, a maioria a chama de Nice, que congrega na Igreja Alexandria, em Parobé, junto com a irmã dela, a Maria. Ela veio acompanhada do esposo, o Luciano, da filha Isabela e do filho Leonardo. Logo de início ela contou que, quando a Maria a convidou no domingo, seu primeiro pensamento foi "nossa, eu?", mas ela tinha feito um propósito com Deus de não dizer não para Ele. E foi com essa entrega que começou: "quando Deus realmente te chama, Deus capacita, Deus nos usa."

"Já existe um vencedor"

Antes de entrar na mensagem, ela parou naquela parte do culto em que apertamos a mão do irmão ao lado. Disse que as lutas dessa vida são desafiadoras e que o grande conflito tem nos deixado desanimados. Mas fez questão de lembrar: nesse grande conflito já existe um vencedor, que é Cristo Jesus. Quando a gente O busca e clama por Ele, Ele vem, nos ouve e nos livra de todo o mal, e está sempre à frente daquilo que vamos fazer, trabalhando no coração das pessoas antes mesmo de chegarmos.

E aí ela trouxe uma imagem que me marcou: Deus poderia ter entregado a ordem de pregar o evangelho aos anjos. Seria rápido, não seria? "Mas Ele deixou para mim e para você. Sabe por quê? Porque nós precisamos moldar o nosso caráter." Se a ordem tivesse ido aos anjos, nosso caráter não seria moldado. Essa é a nossa tarefa.

O tema da manhã: reavivamento e reforma

A irmã Nice disse que trouxe uma mensagem para o tempo que estamos vivendo, algo que tanto ouvimos falar: reavivamento e reforma. E logo respondeu uma objeção que muita gente faz: "Ah, mas a gente já estudou isso nos dez dias de clamor." A resposta dela foi direta: precisamos disso diariamente, porque a nossa salvação é diária. Preciso hoje falar com Cristo, hoje orar, hoje clamar pela presença do Espírito Santo.

O ponto de partida foi um chamado: precisamos despertar do sono. Sabemos das coisas que vão acontecer, porque está tudo revelado na Palavra, mas muitas vezes estamos acomodados, e, ela confessou quase baixinho, ficamos covardes diante do mundo. Só vamos ter coragem de despertar se buscarmos o Espírito Santo.

O que é reavivamento

Ela definiu assim: o reavivamento é a renovação da vida espiritual, do coração e da mente por meio do Espírito. Não se baseia em emoções superficiais, mas na busca por um relacionamento íntimo com Cristo, resultando em submissão à vontade de Deus e na transformação do nosso caráter. Sozinhos, não somos nada, é tudo pela graça.

E foi enfática sobre os meios: "não existe salvação sem o estudo da palavra. Não existe salvação sem oração. Não existe salvação sem a fé em Cristo Jesus." Então, como ter um reavivamento verdadeiro? Buscando a Palavra e orando.

Aqui veio um dos trechos mais práticos. Aquela conversa que a gente tem com a própria preguiça:

"Ah, Nici, mas eu não tenho vontade.", Estuda mesmo assim. "Ah, eu não tenho vontade de orar.", Ora mesmo assim.

Porque é algo que Deus vai transformando no nosso coração sem a gente perceber. Você começa estudando sem vontade, o Espírito Santo vai trabalhando, e logo você já não consegue mais ficar sem a Palavra. Você começa orando sem vontade e, quando vê, quer mais tempo de oração.

O que é reforma

A reforma, ela explicou, é o resultado prático do reavivamento: uma mudança de hábitos e de estilo de vida, abandonando condutas contrárias aos ensinos bíblicos. Quando estudo a Palavra, vejo coisas na minha vida que não estão de acordo com a vontade de Deus, e aí preciso tomar uma decisão e mudar. "Não existe mudança fazendo as mesmas coisas."

Os versos que ela abriu

A irmã Nice foi passando por uma sequência de textos que martelam o mesmo chamado:

Ela observou algo bonito sobre a noite: é à noite que o ladrão vem, é à noite que as pessoas se escondem para fazer o que não querem que se veja. Mas nós não somos da noite. Quando cremos em Cristo, passamos a andar na luz, e Deus sempre revela antes tudo o que vai fazer. Por isso precisamos despertar, vigiar, estudar e orar.

As marcas de um reavivamento e de uma reforma

Depois ela organizou em características principais:

1. Foco na Palavra. O verdadeiro reavivamento é alicerçado no estudo diário das Escrituras e nos escritos dos pioneiros. A Palavra de Deus é a nossa luz maior. E ela tocou num ponto que sempre nos perguntam: cremos que Deus deixou uma profetiza, Ellen White, com livros maravilhosos, a luz menor. "Muitas pessoas dizem que a gente adora Ellen White. A gente não adora." A nossa fé é baseada na Palavra; os escritos dela servem para abrir a nossa mente.

2. Arrependimento e oração. Não existe reavivamento sem arrependimento. É reconhecer diante de Deus: "Senhor, eu sou pecadora, eu preciso diariamente me arrepender." Envolve quebrantamento, confissão de pecados e momentos dedicados à oração.

3. Missão. Não há reavivamento e reforma se não trabalharmos na obra. Quando aceitei Cristo, passei a fazer parte do corpo de Cristo, e o corpo não pode ficar parado, senão atrofia. Ela usou até o frio daquela manhã como ilustração: se a gente não se alonga, vai ficando travado; assim é o corpo de Cristo, precisa estar em movimento. O "Ide" não foi dito só aos discípulos, foi para mim e para você. E uma frase ficou ecoando: "A igreja não é esse prédio. A igreja é eu e você." Sou igreja no trabalho, na família, no mercado, na padaria.

4. Preparo para o fim. Há um senso de urgência. Preciso falar de Cristo, porque se eu não falar, "as pedras falarão."

Olhar para a cruz

A irmã Nice nos convidou a parar de olhar para nós mesmos, para as nossas dificuldades e lutas, e olhar para a cruz. É ali que entendemos o verdadeiro amor: um ser divino que largou as suas vestes reais, veio a este mundo, passou por dificuldades como as nossas e, por amor a mim e a você, sofreu algo que nunca iremos sofrer. Ela chamou a Bíblia de "carta de amor", do início ao fim mostrando o amor de Cristo, dizendo "vem, filho, porque o fogo eterno não é para ti."

E lembrou que não podemos nos basear na nossa própria vida confortável, comida na mesa, roupa, família bem. Lá fora há gente sofrendo, há crianças sendo abusadas neste exato momento, pessoas que não sabem para onde vão. Temos o dever de falar de Cristo.

O testemunho que ela não tinha como esconder

Foi quando ela falou da própria história que muita gente se emocionou. Por 20 anos a irmã dela orou por ela. Vinte anos relutando em aceitar Jesus, olhando e pensando "quem é esse Jesus?". Mas Ele a esperou, a aguardou, porque a ama. E então veio o aviso: "hoje eu falo para mim e para você: nós não temos mais 20 anos para esperar. Os sinais estão todos aí."

Ela falou direto às mães. Que continuem clamando pelos filhos, porque Deus ouve as nossas orações e, no fim dos tempos, antes de fechar a porta da graça, Ele vai rever todas as orações. "Satanás quer carregar os nossos filhos", ela disse, e completou que não vai deixar de orar pelos seus até Jesus voltar e ela ir com a família inteira, juntos, em união, para viver a eternidade.

Estava emocionada, mas avisou que não era de tristeza: "eu tenho alegria no meu coração, porque Jesus já venceu."

Para sair aquecido

O recado final foi simples e pessoal. O reavivamento não é eu cobrando do irmão; é eu comigo mesmo: "Como eu estou com Cristo?" Que a gente olhe mais para a cruz e para a vida de Jesus, que é quem nos fortalece, nos abençoa e nos anima.

"Tenha hoje um reavivamento e uma reforma, para que, nessa manhã fria, a gente saia aquecido com a presença de Cristo Jesus."

Saí com a frase dela na cabeça: não desista, oremos uns pelos outros, porque unidos em oração seremos mais que vencedores.

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