O Vazio de Zaqueu: o dia em que entendi que sem Cristo eu não tenho nada

Cheguei na igreja neste sábado sem saber direito o que esperar, e saí com o coração cheio. Era um dia especial, o Sábado Missionário da Mulher Adventista, e quem trouxe a mensagem foi a irmã Vera. O irmão que a convidou contou, antes de começar, que essa tinha sido uma das primeiras vezes que ele a chamou para pregar, e que ela tem levado a Palavra a vários lugares. Dá pra perceber que é alguém que vive aquilo que fala.
Ela mesma fez questão de avisar que a semana tinha sido pesada: a irmã dela estava no hospital, então foi uma correria. Mas ela já tinha preparado a mensagem na semana anterior, e disse uma coisa que me marcou logo de cara, que a gente não precisa de muito pra ser missionário.
"Você poderia ser um anjo da esperança"
Antes de abrir a Bíblia, a Vera levantou um cartãozinho do Novo Tempo e disse: "isso aqui, eu sou o anjo, sou o novo tempo. Você poderia ser um anjo da esperança." E aí veio a parte que me fez sorrir: ela contou que nem dirigir ela sabe, que se dependesse só dela só daria pra ir pregar de bicicleta. Mas mesmo assim, sendo um anjo da esperança, ela está sendo missionária em cada cantinho do mundo.
A frase que ficou foi essa: não precisa ser muito. "Com um pouco seu, junto com o pouco meu, este mundo vai conhecer a mensagem." Tem gente que acha que precisa ter muito pra servir a Deus. A Vera mostrou o contrário.
O título: "O Vazio de Zaqueu"
Ela disse que todos nós temos um pouco de Zaqueu, somos todos um pedacinho de Zaqueu. E o título que escolheu foi justamente esse: o vazio de Zaqueu. A explicação me pegou:
"Se você está vazio das coisas de Deus, você está cheio das coisas do mundo."
A introdução dela foi direta: o sentido da vida está totalmente ligado a Jesus. Sem Ele, nada faz sentido. E foi exatamente isso que Zaqueu acabou buscando.
O nome que era promessa
A Vera contou que pesquisou o significado do nome Zaqueu: justo e puro. Os pais dele escolheram esse nome olhando pro futuro, sonhando que ele fosse uma pessoa justa. Naquela época o que importava não era se o nome era bonito, mas se o significado era bom. Eles investiram nele.
Só que, quando cresceu, ele se perdeu. "Os olhos de Zaqueu começam a brilhar pelas coisas do mundo." E a Vera trouxe pra dentro da gente: muitas vezes nós também nos perdemos assim. Quando as coisas lá fora começam a chamar atenção, a gente acha que está melhor ali do que aqui dentro. "É justamente quando nós estamos lá fora que a gente vê que a gente está perdido."
Zaqueu virou um homem ganancioso. Cobrava imposto, e cobrava muito além do que era devido. Era cobrador de impostos, uma profissão dura, em que ele apertava quem não tinha como pagar. Por isso era mal visto, "crucificado" pelo erro que cometia.
Lucas 19: o encontro na figueira
Aí a Vera abriu em Lucas 19, do versículo 1 ao 10. Jesus atravessava Jericó, e havia ali um homem chamado Zaqueu, chefe dos publicanos, e rico.
Ela parou nesse ponto pra dizer uma coisa importante: Zaqueu tinha tudo. Era próspero, tinha dinheiro, riqueza, bens. "E quantas pessoas são assim como Zaqueu? Só tem a riqueza, só tem os bens. E muitas vezes um coração duro para a palavra de Deus." O que faltava pra ele era o mais importante, o encontro com Cristo.
Zaqueu queria ver quem era Jesus, mas não conseguia por causa da multidão, porque era de pequena estatura. Então correu na frente e subiu numa figueira (um sicômoro) pra conseguir ver. A Vera imaginou em voz alta: quando ele via tanta gente indo atrás de Jesus, aquilo devia despertar nele uma curiosidade, "quem é esse Jesus de quem tanto falam?". E ela observou que a curiosidade nem sempre é boa, mas naquele caso teve um fim vitorioso.
Então ela fez uma pergunta que me prendeu: será que Jesus não sabia que Zaqueu estava lá na árvore? Jesus sabe tudo. Ele poderia ter passado direto, fingido que não viu, olhado pra outro lado. Mas não, Ele parou, olhou pra cima e chamou Zaqueu pelo nome: "Zaqueu, desce depressa, pois hoje me convém ficar em tua casa."
A casa do ladrão
Esse foi o ponto alto pra mim. A Vera destacou que quando o Senhor nos chama, Ele tem um propósito. E aí ela provocou: você acha que foi fácil, pra aquela gente toda, ver Jesus indo justamente pra casa de um ladrão? Jesus poderia ter ido pra casa de um irmão da igreja, do ancião, do pastor. Mas escolheu a casa de alguém que estava perdido, longe de Deus.
E o povo murmurou, "olha onde Ele vai, olha na casa de quem Ele está indo". Mas, nas palavras dela, isso só mostra quão grande é o amor de Deus, o quanto Ele se importa com você, comigo, e se importou com Zaqueu.
Jesus não precisava ter feito aquilo. Poderia só ter dado uma bronca, mandado ele se arrepender e pronto. Mas foi até a casa dele. E Zaqueu desceu depressa, com alegria, sem se importar com o "burburinho" das pessoas ao redor. Ele sabia que estava errado, mas reconheceu ali a compaixão de Cristo por ele.
A Vera deixou um recado nesse trecho: "você precisa ter alegria de receber Jesus na sua casa, no seu coração. Não se demore a responder a Cristo, Ele tem muitas bênçãos para a sua vida."
A decisão partiu de Zaqueu
No versículo 8, Zaqueu se levanta e diz ao Senhor: "Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se em alguma coisa defraudei alguém, restituo quatro vezes mais."
E a Vera frisou um detalhe lindo: não foi Cristo quem listou os erros dele. Não foi Jesus quem disse o que Zaqueu fazia de errado nem o que ele tinha que fazer. Partiu do próprio Zaqueu o reconhecimento de que tinha pecado. Com certeza o Espírito Santo trabalhou ali, ele já sabia da situação, mas ouviu a voz do Espírito e disse: "Senhor, eu vou devolver tudo o que eu fiz de errado."
Pra ela, essa é a parte mais importante: quando a gente reconhece que está errado e que tem a oportunidade de mudar. Deus, neste momento, está dando às pessoas a oportunidade de se entregarem, e a Vera pediu que a gente não deixe os obstáculos e as coisas erradas serem maiores do que as oportunidades que Deus dá.
Ela ainda lembrou que a Bíblia é o "carro-chefe" da nossa vida. Não precisa saber toda profecia, dominar tudo. O básico pra salvação está ali dentro, e é suficiente pra entender uma coisa: sem Cristo, nós não somos nada.
Nos versículos 9 e 10, Jesus diz que naquele dia houve salvação naquela casa, porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido.
"Eu demorei pra tomar essa decisão"
Foi aqui que a mensagem virou testemunho. A Vera contou que demorou pra entregar a vida a Cristo. Vinte anos indo à igreja antes de decidir se batizar. Mas fez questão de dizer que esses vinte anos não foram perdidos, foram aprendizado, dia após dia, pra ela conseguir se fortalecer e, depois, permanecer. E foi essa a palavra que ela repetiu: permanecer. Tem gente que ouve a mensagem, recebe na hora, está pronto e permanece. E isso é o mais importante, permanecer ao lado de Cristo.
Ela ainda refletiu sobre a transformação de Zaqueu: era um homem sábio, inteligente, sabia fazer as contas muito bem. Imagina uma pessoa dessas, agora trabalhando dignamente e servindo a Deus, quanta bênção ele pôde trazer. De um homem visto como ladrão, indigno, para um homem de bênção. E ela fez questão de dizer que aquilo não tinha vindo só naquele momento: Zaqueu tinha ouvido falar de Deus desde a infância, estudou nas melhores escolas, os pais com certeza falaram com ele inúmeras vezes. Mas, quando cresceu, ele se dispersou, queria ser bem visto, queria riqueza, tinha pressa. Não quis subir passo a passo, e foi por isso que acabou naquela profissão.
"Meu bem, ora por mim, porque eu estou morrendo"
E então ela contou a parte mais forte da manhã, a história dela.
Faz quase um ano, ela disse, que Deus teve misericórdia da vida dela. Numa quinta-feira começou com uma dor terrível, e no sábado a vesícula estourou. "Eu praticamente morri, irmãos. Eu não morri porque Deus não quis, e Deus deixou a medicina pra ajudar."
Depois da cirurgia, dois dias depois, ela estava no oxigênio, sem força pra respirar nos aparelhos, sentindo que estava morrendo. E aí veio a frase que calou a igreja inteira. Ela pediu ao marido: "Meu bem, ora por mim, porque eu sinto que eu estou morrendo." Ela parou e perguntou pra gente: você já pensou na situação que era pra eu ter que dizer isso pro meu esposo?
Os médicos vieram correndo, e Deus foi bondoso, não a deixou partir naquele momento.
Antes da cirurgia, ela tinha conversado com Deus. Disse: "Senhor, eu sou Tua, eu Te pertenço, Tu és o meu dono. Neste momento eu entrego a minha vida nas Tuas mãos, mas, se for da Tua vontade, me deixa viver." Ela botou a vida em dia com Deus ali, e ficou com a certeza no coração: se acordasse, era porque o Senhor tinha permitido mais um tempo de vida. Quando acordou, agradeceu.
Ela já era batizada havia uns doze anos. Mas, naquele leito, fez um propósito: que, quando pudesse, levaria a mensagem de Deus, e não só a mensagem. Ajudaria onde precisasse, na recepção, na porta, em qualquer coisa. "Porque Deus foi bondoso comigo, assim como Deus foi bondoso com Zaqueu." Ela ainda está em recuperação, quase um ano depois, e disse que tem dias bem complicados. Mas Deus é bom, ela está viva, e teve a oportunidade de vir trazer essa mensagem de transformação.
De ladrão a homem de bênção
A Vera amarrou tudo voltando ao nome. Deus transformou a vida de um ladrão num homem de bênção. Ela pensou nos pais de Zaqueu: imagina ser uma criança sonhada, planejada, com um nome escolhido que significava tudo de bom, e se tornar o contrário, trazer tristeza pro lar. Mas Deus transformou a vida dele, e no final o nome dele fez jus: ele se tornou justo e puro, porque entregou a vida a Cristo.
E ela ligou isso ao batismo: quando descemos às águas, o passado fica pra trás, e somos uma nova criatura em Cristo. Só que não ficamos isentos de pecar. Por isso todo dia é dia de se arrepender, de pedir, logo cedo: "Senhor, hoje é um novo dia, me ajude a ser uma pessoa digna, honesta, boa, pra que as pessoas lá fora possam ver a vida de Cristo refletindo em nós."
O preço da salvação
Quase no fim, ela lembrou que Cristo quer o nosso bem, e que a salvação, que pra nós é de graça, teve um preço muito caro: alguém pagou com a própria vida. Ela usou uma imagem que me fez parar pra pensar: e se ainda hoje a gente tivesse que matar um cordeirinho pra ter direito à salvação? Imagina a situação. Mas Cristo decidiu morrer por Zaqueu, por você, por mim, por cada um. E todo dia Ele mostra: "eu morri por ti, hoje é uma nova oportunidade."
Orar pelos que ainda não voltaram
A Vera terminou com um apelo que ficou comigo. Que a gente se lembre dos familiares que ainda não tomaram a decisão ao lado de Cristo, e que ore por eles todos os dias. Porque, nas palavras dela, "enquanto tem alguém orando, o Espírito Santo não se afasta", Ele cuida, protege, e ainda avisa: "volta, volta, que ainda dá tempo."
Ela confessou que também espera. Tem familiares que ainda não voltaram pra Cristo, mas ela ora por eles todos os dias. E acredita que, pela graça de Deus, um dia eles vão retornar, porque a mensagem que um dia foi ouvida não se perde.
Saí pensando no básico, no essencial que a Vera repetiu o sermão inteiro: sem Cristo, eu não tenho nada, e a oportunidade de mudar é hoje, não amanhã, não semana que vem. Assim como Zaqueu desceu depressa da árvore, a gente também é chamado a descer e abrir a porta de casa. Que eu não deixe passar em branco.