Igreja Adventista do Sétimo Dia - Vila Santa Maria

Quatro lições do caminho de Emaús

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O pregador começou dizendo uma coisa com a qual eu me identifiquei na hora: ele gosta muito das histórias da Bíblia. Quase todas as vezes que prega, ele conta uma história, e a mensagem desta manhã não foi diferente. Foi uma história que, segundo ele, fala muito ao coração dele. E, sinceramente, falou muito ao meu também.

Ele avisou que não íamos ler o capítulo inteiro. Leu só três versículos, resumiu a história e, no final, tirou quatro lições para a gente refletir e aplicar na vida. O texto foi Lucas 24, versos 33 a 35, o relato dos dois discípulos que voltaram correndo de Emaús para Jerusalém, dizendo que o Senhor havia ressuscitado e fora reconhecido por eles no partir do pão.

A esperança que caiu por terra

Antes de chegar em Emaús, o pregador nos fez voltar um pouco. O povo judeu, inclusive os discípulos, tinha uma expectativa enorme na vinda do Messias. Eles carregavam no coração o sonho de que, quando o Messias viesse, ele os libertaria do jugo romano, porque eles eram escravos de Roma.

Só que eles imaginavam Jesus vindo de um jeito bem diferente do que ele veio. Imaginavam um Jesus com todo o poder, toda a honra, toda a pompa. Um grande general, um rei como Davi, que faria uma grande guerra, venceria as batalhas e devolveria a liberdade ao povo.

Mas não foi assim que Jesus veio. E o que ele veio libertar não era do jugo romano, Jesus veio libertar o ser humano do poder do pecado. Vindo manso, humilde, suave, fazendo milagres, curando, falando do reino dos céus, eles não o aceitaram.

Houve um momento em que quase mudaram de ideia: quando Jesus multiplicou os pães e alimentou mais de cinco mil homens, fora mulheres e crianças. Ali despertou aquela confiança, "agora sim, esse é o nosso rei, esse tem poder; imagina, um homem capaz de alimentar um exército". Na mente dos discípulos, Jesus era o grande libertador.

Mas então veio a cruz. Jesus foi crucificado, e com ele todos os sonhos deles caíram por terra. O pregador nos pediu para imaginar a sexta-feira, quando tiraram Jesus da cruz, a ponto de os discípulos fugirem e Jesus ficar praticamente sozinho. E depois o sábado: a tristeza daquele sábado, o amanhã cinzento, a fé no chão, o coração sem esperança nenhuma.

No domingo de madrugada, algumas mulheres foram ao sepulcro e o encontraram vazio. Maria disse que havia falado com o Senhor, que ele tinha ressuscitado. Só que, como o pregador lembrou, as mulheres, naquele tempo, não eram muito acreditadas. Ficou aquela dúvida: "a gente crê nas mulheres ou não?"

O caminho para Emaús

Foi nesse clima que, na tarde de domingo, dois discípulos deixaram Jerusalém rumo a Emaús, uma caminhada de uns dez, onze quilômetros. Saíram decepcionados, tristes, sem esperança, conversando sobre tudo o que tinha acontecido: o mestre sepultado, e agora, o que seria deles?

No caminho, alguém se aproximou. Eles não o reconheceram, e esse alguém era o próprio Jesus. Ele perguntou o que eles conversavam, o que afligia o coração deles. E eles responderam quase indignados: "Você não sabe o que aconteceu nesses últimos dias aqui em Jerusalém? A cidade inteira ficou sabendo, só você não sabe?"

Aí começaram a contar sobre Jesus, o Messias em quem tinham colocado toda a esperança de libertação. Aquele que multiplicava o pão, que fazia a tempestade parar, que mandava na natureza, e que agora tinha sido julgado, condenado e morto. "É verdade que algumas mulheres disseram que ele ressuscitou," admitiram, "mas a gente está duvidando."

E Jesus, ainda não reconhecido, os chamou de tardos de coração e começou a explicar tudo a respeito de si mesmo, passando pelos profetas e por todas as Escrituras.

Aqui o pregador abriu um parêntese que eu adorei, porque deixou a cena bem concreta. Ele citou O Desejado de Todas as Nações dizendo que a estrada era muito ruim. E lembrou que aquela gente não tinha carro, nem moto, nem cavalo, era tudo a pé. Dez quilômetros a pé, quase de noite, numa estrada de chão e pedra.

Então ele contou a história dele mesmo: "Vocês já caminharam dez quilômetros? Eu já caminhei, várias vezes." Contou que, quando ele e a esposa se conheceram, trabalhavam em Igrejinha, e ficavam conversando na praça, no centro. O ônibus vinha para Taquara, e várias vezes ele voltou a pé. O cunhado o trouxe de carro umas duas vezes e depois desistiu, não quis mais. E ele completou rindo: "Várias vezes eu vim a pé para Taquara. E cansa, cansa." Ainda lembrou que, no ano passado, com o Clube dos Desbravadores, fizeram 24 km a pé, "24 km não é fácil, cansa."

Foi um jeito simples e humano de nos fazer sentir o peso daquela caminhada dos discípulos. Eles iam parando em certos pontos, e Jesus ia explicando as Escrituras, e eles ouviam admirados.

À mesa, o coração ardeu

Quando chegaram a Emaús, já era tarde da noite. Jesus fez menção de seguir adiante, mas eles o constrangeram a ficar: "Entre, já é tarde, fique conosco." Jesus entrou, e eles prepararam a janta, colocaram tudo direitinho na mesa, cansados daquela jornada longa numa estrada de pedra.

E aconteceu o detalhe mais lindo: quando se sentaram, Jesus pegou o pão e orou. No momento da oração do alimento, eles perceberam quem era. Um deles disse: "É o mestre!" Mas quando foram se lançar ao chão para adorá-lo, Jesus desapareceu. Então olharam um para o outro e disseram aquilo que virou o coração do sermão: "Porventura não ardia o nosso coração quando ele nos falava das Escrituras?"

O pregador voltou a citar O Desejado de Todas as Nações: do mesmo jeitinho que tinham preparado a mesa, eles se levantaram e saíram. A mesa ficou intocada, não comeram nada, não beberam água. Já era noite, sem luz na rua, sem lanterna, e mesmo assim voltaram quase correndo o caminho todo, sem sentir cansaço nem fome.

Segundo Ellen White, eles não fizeram esse percurso sozinhos: Jesus, invisível, foi passo a passo ao lado deles, protegendo. O pregador disse que imagina os dois chegando ao cenáculo com as roupas todas sujas, porque se atiravam pelo caminho, buscando atalhos, para diminuir a distância e chegar o mais rápido possível, de noite, tropeçando nas pedras, mas repetindo: "Ele ressuscitou! Ele ressuscitou!"

Quando bateram na porta, os discípulos estavam com medo de atender. Abriram só uma fresta, e Jesus entrou junto. Lá dentro, a conversa era a mesma dúvida de sempre: ressuscitou, não ressuscitou, cremos nas mulheres ou não? Enquanto os dois de Emaús contavam o que tinha acontecido, Jesus apareceu no meio deles e disse: "Paz seja convosco."

Eles acharam que era um espírito, um fantasma. Jesus mostrou as mãos, os pés, as cicatrizes: "Toquem em mim; um espírito não se pode tocar." E, ainda duvidando, ele pediu algo para comer, tinham peixe ali. Então Jesus recomeçou a mesma explicação das Escrituras, agora diante de todos, apresentando-se vivo. Jesus ressuscitou.

Quatro lições para levar para casa

Terminada a história, o pregador tirou as quatro lições que prometeu.

1. A nossa fé se firma na Palavra, não nos milagres

Naquele dia, Jesus poderia ter feito um milagre logo na saída de Jerusalém e dito: "Olhem, sou eu, ressuscitei." Seria fácil. Mas ele não fez milagre, ele chamou a atenção dos discípulos para o estudo da Sua Palavra.

O pregador perguntou: milagres são importantes? São, sim. Ele lembrou que adoramos um Deus que faz milagres, e grandes. Botar a mão no peito e sentir o coração batendo é um milagre. Sentir que estamos respirando é um milagre. Ter o alimento na mesa todos os dias é um milagre.

Mas a nossa fé não pode estar firmada naquilo que Deus faz; ela precisa estar firmada em quem Deus é. E a gente descobre quem Deus é estudando a Palavra. Ele foi direto: nos últimos dias, dias trabalhosos, a semana passa voando, o dia parece que devia ter mais de 24 horas, e, se a gente não cuidar, passa semanas sem abrir a Bíblia. O inimigo não tirou a Bíblia de nós, mas coloca tanta coisa "importante" no nosso caminho que essas coisas acabam ocupando o lugar da nossa comunhão com Deus. A lição: parar. Parar e estudar a Bíblia.

2. Nós adoramos um Deus que está vivo

A segunda lição é sobre a ressurreição. Nós não adoramos um Deus morto; adoramos um Deus vivo. Aqui o pregador abriu 1 Tessalonicenses 4:13-18, a promessa de que o próprio Senhor descerá dos céus, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e nós, os vivos, seremos arrebatados juntos para o encontro com ele nos ares, para estarmos para sempre com o Senhor.

E ele foi sincero sobre o porquê de escolher essa mensagem: a igreja está de luto, perdeu uma irmã querida. Ele lembrou que perdemos amigos, familiares, e que ainda vamos perder muitos, até Jesus voltar. Mas Paulo diz: "Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras." Sem a Palavra de Deus, um momento desses é desolador; olhando para Jesus e sabendo que ele ressuscitou, temos a certeza de que, na volta dele, aqueles que partiram voltarão a viver. Foi um consolo real para quem estava ali naquele banco.

3. Convide Jesus para dentro da sua casa

A terceira lição nasce de um detalhe fácil de passar batido. Era tarde; os discípulos poderiam ter entrado em casa e deixado Jesus seguir viagem, e estaria tudo bem. Só que, se não o tivessem convidado, teriam perdido o privilégio daquele encontro. Ficariam sabendo da ressurreição talvez outro dia, mas continuariam por um bom tempo sem fé, sem esperança, sem expectativa nenhuma a respeito do reino dos céus.

Eles convidaram Jesus para entrar, e essa é a lição que o pregador queria que a gente levasse: nós, como igreja e como família, precisamos convidar Jesus para estar dentro da nossa casa. Quando ele está em casa, temos esperança, temos fé, temos paz, mesmo quando coisas ruins acontecem, porque a primeira coisa que ele diz ao entrar é "paz". E onde Cristo está, o inimigo nem se aproxima; ele corta caminho, porque não pode estar na presença de Cristo.

O pregador lembrou que Jesus não arromba a porta como o inimigo faz. O Apocalipse diz: "Eis que estou à porta e bato." Se abrirmos, ele entra e fica conosco. Mas a porta se abre de dentro, a gente precisa convidar.

4. Tenha pressa de anunciar

A última lição é sobre a pressa. Os discípulos estavam cansados e com fome. Podiam muito bem voltar a Jerusalém no dia seguinte, descansados, de barriga cheia, com o sol lá fora, um caminho mais fácil. Estaria tudo bem. Mas eles não conseguiram esperar. Nada foi mais importante do que voltar e anunciar aos companheiros que Jesus havia ressuscitado de verdade, porque o que Jesus fez no coração deles, ele podia fazer no coração dos outros também.

Daí o pregador virou a pergunta para nós: eu e você estamos tendo essa mesma pressa? Pressa de falar do nosso Salvador, do reino dos céus, de mostrar que Jesus logo vai voltar? Pressa de dizer às pessoas que Deus existe, que transformou a nossa vida, que abençoa todos os dias e pode abençoá-las também? A conclusão foi clara: hoje nós precisamos ter pressa de anunciar o reino de Deus.

Três perguntas para sair pensando

No final, o pregador fez três perguntas apelativas, e todo mundo levantou a mão:

  1. Você entendeu a mensagem desta manhã?
  2. Você aceita no seu coração aquilo que entendeu?
  3. Você gostaria de colocar em prática, na sua vida, o que entendeu e aceitou?

Amém para as três. Ele fechou pedindo que Deus faça de cada um de nós um instrumento nas mãos dele, uma luz, como aquela igreja tem sido uma luz no bairro, e que a nossa decisão seja continuar acendendo essa luz.

Saí do culto com a mesma pergunta ardendo por dentro: não ardia o nosso coração? Que arda, e que a gente tenha a mesma pressa dos dois de Emaús de contar aos outros que Ele está vivo.

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