Igreja Adventista do Sétimo Dia - Vila Santa Maria

O Jejum: A Chave que Abre o Sobrenatural

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Neste sábado tivemos um estudo muito rico sobre o jejum, não apenas como prática religiosa, mas como uma ferramenta completa que Deus deixou para nos aproximar dEle, nos dar clareza espiritual e até cuidar da nossa saúde. O título do sermão já dizia tudo: O Jejum: A Chave que Abre o Sobrenatural.

Jejum não é plateia

O estudo começou com Mateus 6:16-18, onde Jesus ensina como devemos jejuar. O pastor explicou que, na época, os líderes religiosos usavam o jejum como uma vitrine, faziam cara de tristeza, mudavam a aparência do rosto, tudo para que os outros vissem que estavam jejuando. O jejum virou uma espécie de plateia. "Olha como eu sou bom, como eu estou jejuando, como eu sou temente a Deus." Mas a intenção ali nunca foi se aproximar de Deus, era se mostrar para os outros.

Jesus veio bem em cima dessa condição e disse: quando jejuar, unja a cabeça, lave o rosto. Não mostre uma aparência triste. O jejum é algo íntimo com Deus, não precisa de plateia. Não é Deus que precisa do nosso jejum, somos nós que precisamos do encontro com Ele através do jejum.

Arrependimento e clareza espiritual

Em seguida vieram duas passagens muito fortes sobre arrependimento. Em 1 Samuel 7:6, o povo jejuou e depois disse: "Temos pecado contra o Senhor." O pastor destacou que foi justamente após o jejum que veio a clareza, eles conseguiram enxergar o pecado que estavam cometendo. Uma das funções do jejum é exatamente essa: mostrar a Deus o nosso arrependimento e pedir que Ele nos purifique dos pecados que a gente alimenta no interior, pecados que às vezes a gente nem percebe mais.

A mesma coisa aparece em Neemias 9:1, que tem como título "A Confissão do Pecado." Os israelitas se reuniram, jejuaram, vestiram panos de saco e puseram terra sobre a cabeça, tudo como demonstração de arrependimento. O jejum sempre traz essa clareza.

Teve uma frase que marcou bastante: "Arrependimento não é culpa, é mudança de direção." Quando o jejum produz clareza, ele produz arrependimento. E se produz arrependimento, Deus está pedindo que a gente mude a direção. O jejum funciona como um revisor interior, ele nos confronta, nos desacelera.

Moisés, Daniel e o preparo para grandes decisões

Com Êxodo 24:18, o pastor mostrou como Moisés entrou pelo meio da nuvem, subiu ao monte e ficou lá 40 dias e 40 noites em jejum. Aquele jejum foi um preparo para receber as tábuas da lei, os Dez Mandamentos. Moisés precisava de clareza sobre os mandamentos, sobre o poder de Deus e sobre a missão que tinha com o povo de Israel. E essa clareza veio através do jejum.

O pastor fez uma observação muito boa: enquanto Moisés estava lá em cima em comunhão com Deus, Israel ficou lá embaixo desesperado. Podiam ter jejuado também, mas ao invés disso, a ansiedade tomou conta, "Ele foi embora, não vai voltar, vamos fazer outro deus." E aí veio o bezerro de ouro. A ansiedade é o oposto da espera em Deus. Se você tem esse problema de ansiedade, pede para Deus: "Jesus, me ajuda a manter minha ansiedade controlada, me ajuda a esperar em Ti."

Em Daniel 9:3, Daniel voltou o rosto ao Senhor para buscar em oração e súplicas, com jejum. Daniel estava suplicando poder revelador, clareza de mente para se conectar com Deus. O pastor resumiu assim: todas essas passagens mostram o jejum como um instrumento de limpeza para que possamos ouvir claramente a voz de Deus. Naquele momento de dúvida, de confusão, o que precisamos fazer? Orar e jejuar.

Jesus jejuou, e nós?

Um dos pontos mais impactantes foi quando o pastor perguntou: Jesus precisava entrar em jejum? Não. Ele era o Filho de Deus. Mas viveu em perfeita dependência do Pai e fez do jejum parte essencial da Sua preparação. E quando o inimigo veio tentá-Lo após os 40 dias, tentou em quê? No alimento. "Manda que estas pedras se tornem em pães."

E o pastor conectou isso com algo muito profundo: desde o Éden, a tentação veio pelo apetite. Eva foi tentada através do alimento. Jesus venceu exatamente onde Adão caiu. E nós, por que seríamos diferentes? Se Jesus precisou de jejum e oração, imagina nós.

Jejum e saúde: a ciência confirma

Aqui o sermão tomou um rumo muito interessante. Uma médica que estava participando trouxe a perspectiva da saúde. Ela explicou que hoje o jejum virou moda no mundo da saúde, mas que existe uma diferença: o jejum que se faz por motivos de saúde não tem o fim espiritual. O jejum cristão é espiritual, mas também traz benefícios físicos.

Ela listou vários pontos:

O jejum melhora o metabolismo, pode ajudar a diminuir a diabetes e até levar a pessoa a reduzir medicação, com acompanhamento médico, claro. O corpo tem um mecanismo chamado autofagia: quando você está em jejum, o corpo para de gastar energia com digestão e começa a fazer uma "varredura" interna, eliminando células danificadas e até prevenindo doenças como câncer.

Sobre o cérebro, ela explicou que o jejum estimula uma proteína chamada BDNF, que protege os neurônios. Quando essa proteína está mais presente, o que acontece durante o jejum, o cérebro fica protegido contra o Alzheimer. Ela mencionou que atende muitos idosos e que a incidência de Alzheimer está altíssima, resultado de décadas de maus hábitos alimentares.

Ela também falou sobre o açúcar como o maior inimigo, não só do corpo, mas do cérebro. Crianças hiperativas, pessoas com ansiedade, quadros que poderiam ser muito mais leves se o consumo de açúcar fosse reduzido ou eliminado. E fez uma crítica certeira à indústria alimentícia: supermercados parecem shoppings, com luzes e cores feitas para atrair e fazer a gente comprar o que não precisa.

O raciocínio dela fechou assim: se eu pioro a alimentação, pioro a saúde. E se pioro a saúde, pioro o convívio com Deus, porque a pessoa doente está preocupada com remédio, exame, médico, em vez de estar conectada com Deus.

Mais do que alimento: jejuar de pecado

O pastor trouxe de volta o foco espiritual com uma declaração forte: não jejuamos apenas de alimento, jejuamos também de pecado, de injustiça e de egoísmo. O verdadeiro jejum vem com humildade, expressa atitude e transborda amor ao próximo.

Ele fez um apelo pessoal, mencionando a dificuldade de pregar na comunidade de Takuara justamente por haver muitos adventistas ali. Deveria ser mais fácil, mas às vezes falta empatia, no trânsito, na fila, no trabalho, na convivência com familiares e vizinhos. Se temos a luz da Palavra, por que não ser diferente? Muitas pessoas nunca vão abrir uma Bíblia, mas podem conhecer a Cristo através do nosso exemplo, e essa pode ser uma "estrelinha" na nossa coroa sem nem sabermos.

Sobre aquela pessoa difícil no trabalho, aquele colega que parece trabalhar contra, o pastor sugeriu: ao invés de criar ressentimento, ore por aquela pessoa. Pode ser que não seja ela, pode ser o inimigo trabalhando através dela. Aquela pessoa pode ser uma ovelha de Deus, esperando só ser chamada.

O verdadeiro jejum

O sermão encerrou com uma frase que ficou ressoando: "O verdadeiro jejum não é apenas o que deixamos de comer, mas o que decidimos viver para a glória de Deus."

E uma citação sobre a vitória de Cristo pela negação do apetite: assim como pela condescendência com o apetite Adão caiu, pela negação do apetite Cristo venceu. O apetite é um terreno a ser cuidado, a ser protegido.

O convite final foi para que cada um colocasse o jejum na agenda, não apenas quando a congregação faz, mas como um encontro pessoal e regular com Deus. Que a gente se prepare para isso, coloque os pensamentos em ordem e peça sabedoria para escolher os alimentos, o modo de vida e a proximidade com Jesus.

Que Deus nos dê essa sabedoria. Amém.

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