Escolhas que ecoam na eternidade

Foi um sábado de manhã abençoado em Vila Santa Maria. O ministro William, que serviu a igreja por quase vinte anos na União Sudeste, território de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, e agora está conosco aqui na União Sul Brasileira, na região norte do Rio Grande do Sul, abriu a mensagem com uma pergunta simples, mas que ficou comigo o sermão inteiro:
"No dia de hoje, você já teve que fazer alguma escolha?"
A resposta foi unânime na igreja. Todos nós já tínhamos escolhido alguma coisa naquele dia, qual roupa vestir, se ia fazer o desjejum em casa ou não (e pelo visto a maioria não fez, porque tinha um lanchinho caprichado no fundo da igreja). E foi a partir dessa pergunta tão cotidiana que o ministro nos levou a uma verdade que vale a pena meditar.
A nossa vida é pautada em escolhas
O ministro William nos lembrou que tudo na nossa vida passa por decisões. A administração da casa, as finanças, a saúde, os relacionamentos, tudo é reflexo de escolhas que fazemos.
Ele citou exemplos práticos: a saúde é reflexo do que decidimos comer, dos hábitos que formamos. E hábito, ele explicou, nasce de uma escolha repetida, a gente toma uma decisão, depois toma a mesma decisão de novo, e o cérebro se acostuma. Vira hábito.
Os relacionamentos também. Ele compartilhou da própria vida: a agenda corrida visitando os distritos da região (se fosse para estar em uma igreja diferente a cada sábado, levaria cerca de quatro anos para visitar todas), e o desafio de, quando está em casa com a família, decidir entre ficar no celular e nas redes ou estar de fato presente. "São escolhas. São decisões."
E foi com essa moldura que ele nos pediu para abrir a Bíblia em Gênesis 13.
Abraão, Ló e um "bom problema"
Lemos juntos os primeiros versos. Abrão (que ainda não se chamava Abraão) saindo do Egito com sua mulher e tudo o que tinha, muito rico em gado, prata e ouro. E Ló com ele. Mas a terra já não podia sustentar os dois, eram tantos os bens que começou a haver contenda entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló.
O ministro parou para nos dar o contexto. Quem era Ló? O sobrinho de Abrão. E por que estava ali? Porque havia ficado órfão de pai. A Bíblia não dá os detalhes, mas, como o ministro observou, o avô de Ló ainda era vivo quando o pai dele morreu, então provavelmente não foi uma morte natural. Algo aconteceu. E o tio Abrão acolheu o sobrinho e o levou consigo na jornada.
Imagine o privilégio: ser adotado por Abrão, o pai da fé, aquele que ouvia a voz de Deus e construía altares por onde passava. Ló foi profundamente abençoado por estar na presença do tio. Os rebanhos cresceram, os servos se multiplicaram, as tendas se encheram.
E aí veio uma frase do ministro que me marcou: eles tinham um bom problema.
"Mas como? Existem bons problemas? A gente sempre pensa em problema como algo ruim. Mas existem bons problemas."
Ele exemplificou com a própria igreja: imagine que façamos uma semana de evangelismo, muitas pessoas aceitem o apelo, desçam às águas batismais, e a igreja fique tão cheia que não caiba mais ninguém. "Temos um problema! Como vamos fazer? Vamos comprar mais bancos. Mas é ou não é um bom problema?"
Abrão e Ló tinham prosperado tanto que precisavam se separar. E foi aí que veio a decisão.
A escolha de Ló, e a primeira lição
O ministro nos levou a refletir: o que seria justo Ló fazer naquele momento? Aquele que foi adotado, aquele que recebeu tantas bênçãos por estar na presença de Abrão, deveria ter dito: "Tio, eu já fui muito abençoado. Escolhe você o melhor lugar. O outro eu vou com tranquilidade."
Mas não foi isso que aconteceu.
Ló olhou ao redor, viu as campinas do Jordão, e a Bíblia diz que pareciam um Éden, terra fértil, lugar maravilhoso, e escolheu para si. O ministro sugeriu o que talvez tenha passado na cabeça de Ló: "Se eu for para as campinas do Jordão, não preciso mais do Abrão. Vou multiplicar tudo o que já tenho e vou ser muito abençoado."
Mas sabe o que ele não fez? Não consultou a Deus. Em nenhum momento.
E aqui veio a primeira grande lição da manhã:
"A orientação divina é essencial. A sabedoria divina é essencial para fazermos boas escolhas e tomarmos boas decisões."
O ministro citou a Bíblia: o nosso coração é enganoso. Quando tomamos decisões por conta própria, seguindo apenas nossa visão e consciência, podemos errar, e errar feio. Por isso precisamos viver conectados com Deus, não só nas grandes decisões, mas também nas pequenas. E lembrou que temos um inimigo: Satanás, que segundo Pedro anda como leão ao redor procurando alguém para devorar, e que tenta nos influenciar em cada escolha, desde a roupa que vestimos até a pessoa com quem o jovem vai se casar.
Resolva os seus problemas, a segunda lição
A segunda lição veio do exemplo de Abrão, que, diferente de Ló, demonstrou sabedoria e trouxe uma solução para o problema.
"Muitas vezes nós identificamos problemas em nossa vida, em todos os aspectos, e a gente vai empurrando para depois, empurrando para debaixo do tapete. Lá em Minas Gerais a gente fala assim: a gente vai empurrando com a barriga."
E o ministro desceu para o nosso dia a dia com exemplos que arrancaram sorrisos da igreja, porque todo mundo se reconheceu.
No casamento, ele falou daquele rapaz ou daquela moça que toma banho, se enxuga e deixa a toalha molhada em cima da cama. Da pasta de dente com a tampa de um lado e a pasta do outro, jogada na pia. Coisinhas pequenas. Mas, segundo ele:
"Você acredita que existem famílias sendo desfeitas porque tudo começou com a toalha molhada em cima da cama? Com a coisinha pequena, que vira desrespeito, que vira não escutar, e daqui a pouco tem uma crise familiar?"
Nas finanças, o mês em que se gasta demais e o orçamento fica no vermelho. Não é o fim do mundo, é um problema que se resolve reunindo a família, conversando, ajustando o próximo mês. Mas se a gente vai empurrando, vira bola de neve, bola de neve, bola de neve. Daqui a pouco, uma grande crise.
Na saúde, aqueles degraus de escada que de repente já cansam, ou o corpo que não responde como antes. A gente sabe que precisa cuidar, melhorar a alimentação, fazer atividade física, mas a tendência é criar desculpas: "para mim não dá, é mais difícil, não posso."
"Mas sabe qual é o conselho bíblico? Resolva os seus problemas."
E no aspecto espiritual não é diferente. Será que existe algo na minha vida que está atrapalhando minha comunhão real com Deus? Algo que precisa ser tirado, afastado, decidido?
Vinte anos depois
Ló armou as tendas. Não só foi para as campinas do Jordão, foi se aproximando cada vez mais da cidade, até habitar dentro dela. Levou os servos, os rebanhos, a família, as riquezas, a prata, o ouro. Estruturou-se em Sodoma. Sem consultar a Deus.
"Mas sabe, queridos, o que ele não imaginava? É que tempos depois ele voltaria de lá sem nada. E com a sua família destruída e em pedaços. Ele não podia ver isso naquele momento. Mas Deus sabe o fim desde o princípio."
Vinte anos se passaram. Em Gênesis 18 e 19 chegamos ao desfecho. Três seres celestiais visitam Abraão, o Espírito de Profecia diz que Jesus estava entre eles, e confirmam a promessa do filho Isaque (Sara riu, porque já era idosa). Mas aqueles anjos tinham outro objetivo naquele dia: destruir Sodoma e Gomorra.
E lá dentro estava Ló. Sua família, seus servos, tudo o que ele tinha construído.
Abraão começou a interceder: "Senhor, e se houver 50 justos? E se houver 40? 30? 20? 10?" Mas não havia. A maldade era tamanha que, quando os anjos chegaram à cidade, os homens tentaram tomá-los à força.
E veio o aviso a Ló: "Chame os seus, saia daqui. O Senhor enviará fogo do céu sobre esta cidade."
O ministro pintou a cena: Ló indo até os servos, os amigos, os conhecidos, aqueles que ele amava, e apelando: "Precisamos sair! Os anjos estão lá em casa! Vão destruir tudo com fogo! Junte as coisas, vamos sair!" E a resposta que ele ouvia era: "Mas, Ló, isso não faz sentido nenhum. A gente vive aqui há tantos anos. Já se passaram 20 anos desde aquela decisão. Tudo o que temos está aqui. Vamos largar tudo assim?"
"Deus sempre nos dá uma oportunidade."
Foi assim com Noé, construindo a arca, apelando ao coração das pessoas. E foi assim com Ló naquela noite. Mas chegou o momento em que a porta da graça se fechou. Os anjos pegaram Ló e a família pelas mãos e os tiraram à força da cidade.
E quando Ló saiu, a Bíblia diz que um terceiro estava na porta da cidade. Pelo contexto, entendemos que era o próprio Jesus.
"Eu fico pensando: qual seria o olhar de Jesus para Ló? Se fosse pensamento humano, talvez fosse a hora de acusar, 'a decisão foi sua, você está vendo o que aconteceu, não me consultou, agiu com avareza e orgulho.' Mas a grande verdade é que Jesus olha com olhar de compaixão e diz: 'Filho, saia da cidade e salve a tua vida.'"
E o ministro aplicou para nós: por mais errantes e falhos que sejamos, Deus age da mesma maneira. Ele diz: "Filho, ainda há salvação. Toma a sua decisão. Salve a tua vida."
A história que fechou a mensagem
Para encerrar, o ministro contou uma história real do ano de 1988, na Armênia.
"Às 11h41 da manhã, um grande terremoto abalou a Armênia. Cidades inteiras. Mais de 30 mil pessoas morreram naquele dia. E a gente fala '30 mil pessoas' como se fosse só um número. Mas são 30 mil vidas. Cada pessoa ali tinha sua história, sua família, seus sonhos, seus planos."
E entre tantas histórias, uma chamou a atenção dele. Um pai, uma mãe e um menininho. Toda vez que aquele pai deixava o filho na escola, o garotinho chorava, não queria ficar, queria voltar. E o que confortava o coração do menino era uma frase repetida do pai:
"Filhinho, fique tranquilo. O papai vai voltar para te buscar."
Naquele dia, o pai havia deixado o filho na escola bem cedinho. Às 11h41, o terremoto. Prédios inteiros vieram ao chão. O pai saiu desesperado, correndo, correndo, até a escola, e quando chegou, só viu escombros. A escola inteira no chão. As crianças soterradas.
Os bombeiros tentaram impedi-lo: "Você não pode fazer isso, não está com equipamento adequado, pode ter vazamento de gás, pode explodir." Mas ele não se importava. Com as próprias mãos, começou a tirar pedras e a chamar pelo filho.
Trinta horas. Trinta e oito horas. Sem comer, ensanguentado, sujo. Cavando.
Até que ouviu uma voz. A voz do filho.
"Papai, é você, papai!"
E quando finalmente conseguiu tirá-lo dos escombros, junto com outras crianças que estavam vivas com ele, o menininho disse:
"Papai, eu disse para os meus coleguinhas que estavam aqui que não precisavam se preocupar, porque o senhor me fez a promessa de que voltaria para me buscar. E eu estava te esperando, papai."
O ministro parou um momento. E disse, com a voz carregada:
"Essa história mexe comigo, me emociona, porque eu também tenho um garotinho. Mas o que mais me emociona é saber que o nosso Pai nos fez a mesma promessa. Ele disse que voltaria para nos buscar. Que voltaria para nos tirar dos escombros desse mundo."
A pergunta que ficou
E a mensagem terminou com uma pergunta que ele nos deixou:
"Estamos prontos para ouvir a voz do nosso Pai nos chamar? Ou ainda temos decisões a tomar? Ainda precisamos escolher? Ainda precisamos resolver algumas questões da nossa vida?"
O Senhor conhece cada um de nós desde o ventre da nossa mãe. Conhece a nossa história, sabe das vezes que caímos e levantamos. E nessa manhã, Ele apela ao nosso coração para que tomemos as decisões necessárias, para que tenhamos um relacionamento íntimo e real com Cristo, e estejamos prontos quando Ele voltar.
Saí do culto pensando na escolha de Ló, feita por conta própria, segundo o coração, e na escolha do menininho na Armênia, que simplesmente esperou, porque acreditou na palavra do pai. Que tipo de escolha eu vou fazer hoje?