Como saber se o que você está vivendo vem de Deus ou das trevas?

Hoje tivemos o prazer de receber pela segunda vez a irmã Regina em nossa igreja, irmã do Washington, um amigo do irmão Gerônimo que mora nos Estados Unidos. Antes de a Regina começar, o Gerônimo orou pedindo que o Espírito Santo tocasse os lábios dela "como a brasa viva tocou os lábios do profeta Isaías," para que a mensagem fosse de poder e transformação.
A Regina abriu dizendo que o sábado é "o oásis no meio do deserto", o dia em que esquecemos as coisas que nos atrapalham e nos concentramos em adorar a Deus. E daí ela nos convidou a abrir a Bíblia em Marcos 5, num texto que todos nós já lemos muitas vezes, "mas que se renova a cada leitura."
A história começa antes da mulher doente
Antes de chegar no verso 25, a Regina nos fez voltar um pouquinho. Jesus estava andando com os discípulos, com a multidão sempre apertando ele de todos os lados, quando Jairo, chefe da sinagoga, veio com um pedido urgente: a filha dele estava morrendo.
E aqui ela parou para destacar uma coisa que eu nunca tinha pensado: Jesus foi com ele, mas foi no tempo dele, no passo dele e na rota dele. O pedido era urgente, mas Jesus se demorou. Por quê? Porque Jesus conhece todas as coisas, sabe o fim desde o começo. Ele sabia que naquele momento, em algum lugar próximo, existia alguém que precisava dele. Jesus se colocou na rota dessa pessoa.
A mulher que já tinha gastado tudo
Foi então que apareceu a mulher com hemorragia há doze anos. A Regina tentou pintar a figura dela: uma mulher moribunda, já empobrecida porque tinha gastado tudo com médicos sem solução, fraca, com a aparência desgastada pela doença, pela desesperança, pela falta de perspectiva de vida. Ela ia morrer.
A partir daí ela tirou duas lições.
Primeira lição: é sempre Jesus que vai ao nosso encontro
"Não está no ser humano buscar Jesus. Não está em nós, não está na nossa carne essa iniciativa, esse interesse natural de buscarmos a Jesus. A gente não consegue."
Para ilustrar, ela voltou ao Éden: quando Adão pecou, ele se escondeu, fugiu, "e isso é a nossa natureza, fugir." E foi Deus quem foi atrás: "Adão, onde você está?" Sempre é Deus. Nunca somos nós.
Segunda lição: o tamanho da nossa fé comparado ao da mulher
A Bíblia diz que a mulher tinha apenas ouvido falar de Jesus. Nunca o tinha visto, nunca tinha tido nenhuma experiência com ele. E mesmo assim acreditou, aceitou, se apegou. Essa fé, só por ter ouvido falar, foi suficiente para curá-la de uma doença de doze anos que nenhum médico tinha conseguido resolver.
E aí veio a pergunta que pegou: nós já ouvimos falar sobre Jesus, já aprendemos sobre Jesus, já aceitamos Jesus, e muitos de nós já tivemos experiência com Jesus. Nós temos a Palavra, os Evangelhos, a morte de Jesus na cruz, o Espírito Santo à nossa disposição. Qual é o tamanho da nossa fé? O que ela é capaz de fazer?
"De mim saiu poder"
A Regina relembrou rapidamente o restante da cena: a mulher pensou consigo mesma "se eu somente tocar na roupa dele, eu vou ficar curada." Ela tocou, o sangue estancou, e Jesus parou tudo perguntando "quem me tocou?" Os discípulos estranharam, Senhor, está todo mundo se apertando aqui, todo mundo se empurrando, como assim quem te tocou? Mas Jesus sabia: alguém o tinha tocado de forma diferente, "porque de mim saiu poder."
A mulher se apresentou com muito medo, constrangida, contou seu problema, e Jesus disse: "tua fé te curou, vai em paz."
Aqui a Regina destacou o conflito que aparece nitidamente nessa história, o mesmo conflito que a gente vive hoje, entre Cristo que liberta e Satanás que aprisiona. Satanás aprisionou aquela mulher por doze anos. Jesus a libertou com apenas um toque. A simples presença de Jesus acaba com o poder do mal na nossa vida, o mal não tem poder sobre a gente se Jesus estiver conosco.
E a partir daí ela passou para a parte central da mensagem.
Dois contrastes entre o caráter de Deus e o caráter de Satanás
Ela disse que vivemos num tempo em que as coisas estão muito misturadas, muito confundidas, e que o caráter de Deus tem sido manchado, adulterado pelas forças do mal. Por isso ela quis trazer apenas dois contrastes nessa manhã, mas dois contrastes grandes.
1. Deus é luz. Satanás é trevas.
Lendo 1 Pedro 2:9, "Vocês foram chamados das trevas para a sua maravilhosa luz", ela listou os atributos da luz:
- Claridade e clareza, onde não há confusão, mistura, dúvida nem incerteza.
- Definição, na luz a gente distingue formas, cores, objetos. No escuro não se define nada.
- Ausência de distorção, "não tem como distorcer o formato desse banco que eu estou enxergando." Da mesma forma, a luz de Deus tira qualquer distorção entre o que é verdade e o que é mentira.
- Brilho, alegria, esperança e vida.
E aqui ela deu um exemplo que eu achei ótimo: existem países, principalmente europeus, onde o inverno dura mais da metade do ano, com pouquíssimo sol, muita neve, muita nuvem. Pesquisas mostram que nesses lugares, nesse período, as pessoas ficam mais tristes, mais depressivas, porque a qualidade do tempo afeta a emoção. A falta de luz tem efeito real sobre o ser humano. É o mesmo na vida espiritual.
Já as trevas são o oposto: opacidade, confusão, medo (porque no escuro a gente não sabe onde está pisando, o que vai encontrar), indistinção. E ela aplicou direto: "A gente vive num mundo que tenta misturar as coisas, os conceitos, mistura a história, mistura o que é verdade com o que não é verdade. Confusão de ideias, confusão de conceitos, confusão política, confusão social, confusão financeira, confusão religiosa. Qualquer confusão, qualquer medo, qualquer escuridão não vem de Deus."
E o alerta: vai chegar um tempo em que essa diferença vai ficar opaca diante dos nossos olhos, e por isso a gente precisa compreendê-la agora, para sermos rápidos em reconhecer o que não vem de Deus. As "brexinhas," por menores que sejam, são portas de entrada do inimigo na nossa vida.
2. Deus é vida. Satanás é morte.
João 10:10, "O ladrão só vem para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e vida em abundância."
Quais são as qualidades dessa vida plena que Jesus quer nos dar?
Alegria. "Nós cristãos temos motivos de sobra para sermos alegres. O evangelho que pregamos e que vivemos é o evangelho da alegria, são as boas novas." E aí veio a pergunta dura: "Se a gente anda triste, deprimido, arrastando corrente, precisa entender que isso não vem de Deus. De onde vem esse peso que eu carrego?"
Saúde. Deus é o Deus que sara, por isso ele nos deu instruções na Palavra sobre como dormir, comer, beber, descansar e trabalhar (os sete remédios da natureza). E ela foi categórica: "Não pode sair da nossa boca aquela frase 'Deus quis assim,' 'foi a vontade de Deus' sobre alguém que morreu doente. Não é. Deus é vida, Deus não é morte. Deus é vida plena, Deus não é vida pela metade." A ressalva única que ela fez foi essa: Deus não nos livra das consequências das nossas escolhas, mas o sofrimento em si nunca é a vontade dele.
Completude. E aqui veio outro exemplo bem atual: "Vocês já prestaram atenção como o mundo hoje nos faz nos sentirmos incompletos? É sempre uma coisa nova, é sempre algo a mais, é sempre um produto novo. E as redes sociais nem se fala, Instagram, TikTok, enxurrada de mentiras de que para ser feliz você precisa ter o iPhone 17 (acho que é o 17 o último, né?), fazer a viagem dos sonhos, ter o carro melhor." Não que a gente não possa ter coisas boas, não que não possa viajar, "mas não é nisso que está a nossa completude. A nossa completude está em Deus."
Força. "Existem muitos jovens que se afastam dos caminhos de Deus porque acreditam que ser cristão é ser fraco." Distorção sutil da verdade.
Pureza, sucesso espiritual, multiplicação de bênçãos, abundância. "Escassez não vem de Deus. Deus não é o Deus da escassez de comida, escassez de dinheiro, falta de tudo, pobreza, miséria, assim como ele não é o Deus da doença." E ela lembrou: "Buscai primeiro o Reino de Deus, o resto é consequência. Mas a gente faz o caminho contrário: quer, quer, quer, achando que tendo as coisas vai poder servir melhor a Deus."
Já as características da morte (do inimigo) são: doença, enfermidade, transtorno, fragilidade, diminuição de força física, moral e espiritual, apagamento de bênçãos, esgotamento de recursos, pobreza, miséria. Satanás vem para subtrair. Primeiro finge que dá; depois que ganha o coração, tira tudo.
"Deus é o restaurador. Satanás é o destruidor."
Foi essa a frase que ficou pesando para mim. O objetivo de Deus na nossa vida sempre é restaurar. O objetivo de Satanás sempre é destruir.
E por isso, ela disse, não podemos nos conformar com as perdas, com a escassez, com a tristeza, com a escuridão, com a falta de discernimento, com a pobreza, com a doença. Não foi para isso que Deus nos criou. Devemos desejar com mais fervor a volta de Jesus, para que sejamos definitivamente libertos desse poder opressor do inimigo.
Ela fechou com algo que merece ser lembrado palavra por palavra:
Devemos reivindicar as promessas que Deus nos deu através da sua Palavra. Ele disse que cura, ele disse que sara. Às vezes parece meio ousado, meio radical reivindicar, porque a gente nasce acreditando que diante de Deus a gente não é nada. Mas a gente vale o sangue de Jesus. A gente não é pouca coisa para Deus. Por isso, não nos intimidemos em sermos ousados e audaciosos com Jesus, porque ousar com audácia com Jesus é sem arrogância. Precisamos ser mais fervorosos, mais confiantes, acreditar mais, ser mais ousados, e experimentar uma vida plena com Jesus.
Para levar para casa
Prestar atenção na vida diária, em tudo que falamos e em tudo que nos acontece, e perguntar: isso vem da luz e da vida, ou vem das trevas e da morte? Clamar ao Senhor que repreenda o inimigo e nos coloque no centro dos seus propósitos.
Saí do culto pensando que muitas coisas que eu aceito como normais, peso, ansiedade, escassez, frases tipo "Deus quis assim", podem na verdade ser justamente aquilo que a irmã Regina chamou de características satânicas com cara de verdade. E que o exercício de discernimento é diário.
Que Deus me ajude a reconhecer o que é dele e o que não é.